Governo do Distrito Federal
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Carta ou plano geográfico da capitania de Goiás – “Mapa dos Julgados”


 

 

 

 

 

 

Apresentação/Leitura paleográfica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O “Mapa dos Julgados” é um dos mapas de Goiás do qual há diversas cópias. “No Catálogo da Exposição de História do Brasil… 1881, à p. 317, sob o n. 3.211, estão relacionados dois originais, três cópias – uma das quais reduzida – pertencentes ao Arquivo Militar, bem como uma cópia feita por Francklin Antonio Costa Ferreira, pertencente à Biblioteca Nacional”.1 Por isso, em todos os “Mapas dos Julgados” que apresentarmos neste GUIA, iniciaremos com um comentário geral comum a todos, contextualizando o seu surgimento.

 

Este mapa possui pequenas variações de textos de um dos três mapas apresentados na coleção do Arquivo Histórico do Exército deste GUIA. A diferença maior se dá quanto ao título que naquele é mais completo: “[…] Sargento mór do Regimento da Cavalaria Auxiliar da mesma capitania. Sendo quase toda vista pello mesmo Ex.mo Sr. a quem o Auctor sempre o acompanhou, em tempo do seu governo”.

 

Esta cópia do Itamaraty “foi trazida de Portugal pelo Barão da Ponte Ribeiro. Luis da Ponte Ribeiro menciona-a sob o n. 162, no seu catálogo manuscrito feito para acompanhar a coleção que pertenceu a seu pai, doado ao Itamaraty, em 1884”.1

 

Em 1772 o governo português nomeava José de Almeida de Vasconcelos Soveral e Carvalho para governador da capitania de Goiás. José Martins Pereira de Alencastre, escritor, geógrafo e também governador de Goiás de abril de 1861 a junho de 1865, em seu clássico “Anais da Província de Goiás”, publicado em 1864, ao comentar o governo de José de Almeida, oferece algumas informações a respeito desse mapa: “sendo o único governador que percorreu toda a capitania, tinha o mais exato conhecimento do seu território, e também das suas necessidades. Esse conhecimento serviu-lhe, sobretudo para o levantamento da carta da capitania, e melhor divisão dos Julgados. No levantamento da carta, teve o mais sério cuidado, não só pelo gosto de empregar-se em trabalhos desta natureza, de que era apaixonado, como pelas recomendações que a este respeito tinha recebido do presidente do real erário, Marquês de Angeja. Sendo da atribuição dos ouvidores criar julgados nas povoações de 100 a 200 fogos, foram no tempo do governo de José de Vasconcelos criados pelo ouvidor Cabral os julgados de Crixás, S. Félix, Arraias, Couros, Cavalcante, Conceição e Natividade. D’ahi a necessidade de serem designados os novos limites dos antigos, entre cujos juízes ordinários apareciam sempre conflitos de jurisdição. Sobre a carta da capitania, e por ato de 20 de abril de 1778 marcaram-se os limites de Villa Boa, Pilar, Trahiras, S. Felix, Conceição, Natividade, Arrayas, Cavalcante, Santa Luzia, Meia Ponte, Santa Cruz e Rio das Velhas”.2

 

Segundo Paulo Bertran, “A ‘Carta ou Plano Geographico da Capitania de Goyas’ ou, simplesmente, ‘Mapa dos Julgados’, consagrado na historiografia clássica, terminou de fazer-se em maio de 1778, pelo Sargento-mor, Tomás de Souza, depois de longas viagens deste pela Capitania de Goiás, ou bem só ou acompanhando o Governador José de Almeida. O mapa de Tomás de Souza tinha a preocupação de delimitar o âmbito dos Julgados goianos, vale dizer, dos territórios municipais da época. Esses Julgados criaram-se em território goiano mais ou menos ao sabor das circunstâncias, dependendo de sua importância demográfica e econômica. Dessas divisas ficou incumbido o Ouvidor Cabral de Almeida. Não foram atos perfeitos, mas tendo repartido os territórios municipais a grosso modo, deu a tônica principal destes se irem ajustando, ao longo dos tempos, a territórios naturais, marcados por acidentes geográficos, sobretudo pelos rios e serras de maior envergadura”.3

 

O autor do mapa, Tomás de Souza, com formação na Escola de Oficiais do Rio de Janeiro, em 1774 se encontrava em serviço em Cuiabá, vindo em 1776 para Goiás. Este oficial engenheiro seria encarregado da cartografia oficial, do estudo e construção de uma fonte para o abastecimento de água potável em Vila Boa e de outro importante empreendimento, que foi o desvio das águas do Rio Maranhão em 1779, já no governo de Luiz da Cunha. […] Durante um ano, o engenheiro militar percorreu toda a capitania. Fez o que chamou de “Caminho das Águas”, visitando toda a hidrografia goiana. Em janeiro de 1778, apresentou os mapas produzidos pela expedição militar ao Conselho Ultramarino. A construção cartográfica da Carta ou Plano da Capitania de Goyaz de 1778, documento oficial da coroa portuguesa, reunia elementos da paisagem, representava o relevo e as bacias hidrográficas, as construções como intervenção no território e apropriação 28 do espaço, as estradas que ligavam Goiás a Minas, a Cuiabá e a Salvador. Apresentava uma hierarquia para classificar os povoamentos conforme sua inserção na economia da mineração: Vila Boa, arraiais com freguesia, arraiais sem freguesia e as aldeias (estas por último, representando onde a sociedade mineira de Goiás enxergava o índio). O mapa de Tomás de Souza definiu as fronteiras de Goiás, estabelecendo limites identificados em coordenadas astronômicas, conhecimento técnico avançado à época. Seu trabalho foi tão preciso que em 1920 – quando houve um questionamento das fronteiras pelo Projeto do Ten. Cel. Eng. Oliveira Lobo de uma Igreja para o Presídio de Leopoldina, Mato Grosso – em uma discussão que foi levada ao Congresso Nacional, o preciosismo de Tomás de Souza foi decisivo para a manutenção da fronteira.4

 

 

Leitura paleográfica:

 

Carta ou Plano Geograph.co da Capit.a de Goyas huma das do centro da America Meridional, pertencente ao Reino de Portugal que mandou construir o Ill.mo e Exell.mo Snr. Jozé de Alm.da de Vasconcellos de Sovral e Carvalho, Gov.r e Cap. Gen.l da dita Capit.a do dia 26 de Julho de 1777 athé, Mayo 78, que a entregou.

Por Thomas de Souza Sarg.to Mor do Regim.to da Cavallaria.

 

Adevertencias

Esta Capitania he demarcada da Barra do Rio Pardo, por elle acima athé as suas Cabeceiras Buscão se as do Araguay por elle abaixo athé fazer Barra no Tucantins acima athé à Barra do Rio Manoel Alves Buscase a Ponta de Serra Cordilheira que avizinha nella, e seguese pelo cume della athé à Serra de Lorenço Castanho, Arrependidos, Escuro, Serro da Canastra, Marsella, até à barra do Sapucay, pelo Rio Grande abaixo, até que nelle faz barra o de Rio Pardo, o que tudo se persebe no Ambito das maiores Lettras, que dizem Capitania de Goyaz. Alguns Rios que se notão são Ribeirões ou fles. Os Arayaes que são Freguesias se notão, as Aldeas se notão Al. ou A. As Estradas de pontinhos. Tudo o mais o Letreiro o mostra. Advertese mais que esta Capitania tem 13 Julgados e que huns comprehendem pequeno Terreno por serem mais povoados, e outros muito grandes por terem muita Terra inteiramente despovoada como hé Villa Boa, e Natividade. A Capital desta Capitania de Villa Boa situada em 16º e 20’ ao sul da Linha Equinocial e em 329º10’ de Longitude contado da Ilha de Ferro. Esta da Capitania, Além dos Arayaes que vão apontados com hum A antes, tem muitas Fasendas.

 

 

Referências:

 

1. ADONIAS, Isa. Mapas e Planos Manuscritos relativos ao Brasil colonial conservados no Ministério das Relações Exteriores (1500-1822). Ministério das Relações Exteriores, Serviço de Documentação, Rio de Janeiro, 1960, p. 663-664.

2. ALENCASTRE, José Martins Pereira. Anais da Província de Goiás. Convênio SUDECO/Governo de Goiás, 1979, p. 215-216.

3. BERTRAN, Paulo. Notícia geral da Capitania de Goiás em 1783, Goiânia, ICBC, 2010, p. 101.

4. A Engenharia em Goiás – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás. Goiânia. CREA-GO, 2012.

 

 

Fonte – Mapoteca do Itamaraty

Medidas – 88cm × 55cm

Data – 1865

Localização – s.i

 

 

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