Governo do Distrito Federal
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22/09/12 às 11h37 - Atualizado em 13/12/18 às 17h21

Roteiro educativo

Uma nova etapa das “aulas passeios” promovidas pelo Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF) ganhou forma na última quarta e quinta-feira (7 e 8), com a participação de estudantes do 2º e 3º ano do Centro de Ensino Médio, Júlia Kubitschek. Ao todo, cerca de 100 alunos das duas séries, acompanhados dos professores de História, Geografia, Sociologia e Português, tiveram a oportunidade de ter acesso a informações e detalhes importantes dos primórdios de Brasília, desde o período das comissões que resultaram na marcação do quadrilátero que deu origem ao Distrito Federal, até a construção da nova capital.

“Tão interessante quanto responder uma pergunta correta é fazer novas perguntas a partir deste tema”,observou o superintendente do Arquivo Público do DF, Gustavo Chauvet, um dos palestrantes da ação, junto com o Coordenador de Educação e Cultura, Guilherme França.

A iniciativa, uma novidade entre alguns alunos e professores da rede de ensino do GDF, tem como objetivo resgatar a identidade dos moradores das primeiras cidades nascidas com a construção da capital a partir de experiência empírica. Também tem o mérito de trazer à tona para as novas gerações, um passado recente que poucos conhecem. É o caso do estudante Matheus Pereira Lopes, 18 anos, um dos mais entusiasmados da turma de quarta.

“É uma pena que seja pouco tempo para muita informação”, lamentou o jovem. “Já conhecia o Catetinho, mas foi novidade visitar os outros lugares”, emendou, referindo-se a antiga sede da Igreja São José Operário e a Biblioteca da Candangolândia, que abriga o primeiro cofre de Brasília, espaço pertencente à NOVACAP.

O método, já realizados com alunos e professores do Núcleo Bandeirante, é bem simples. Após a exibição de vídeos e realização de palestras sobre o tema, os envolvidos conhecem, in loco, a história que acabaram de aprender em sala de aula. Os professores, mais do que os estudantes, aprovaram a metodologia. Tanto que estão pensando em debater a inclusão da “aula passeio” e o aprendizado sobre a história de Brasília no próximo Projeto Político Pedagógico (PPP).

“É uma história que nós, enquanto professores, precisamos conhecer melhor e passar tudo para os alunos”,salientou Ana Cristina Machado, diretora do CEM Júlia Kubitschek. “A aula fica bem mais interessante”, disse empolgada, Dilza Oliveira, professora de Geografia do Júlia Kubitschek desde 2001. “Vivenciar a realidade que os cercam a partir do que eles aprendem na escola é importante”, destacou.

Estudantes do 2º ano do Júlia Kubitschek, as amigas Mykaela Pereira e Maria de Fátima Silva, ambas com 16 anos, acharam o passeio interessante. Moradoras da Candangolândia, as duas admitiram conhecer o Catetinho de outros verões, mas aprovaram a outra parte do roteiro que desconheciam. “Há muita coisa sobre Brasília e a nossa cidade que ainda não conhecemos”, admitiu Mykaela. “O projeto permite que a gente aprenda se divertindo”, concordou Maria de Fátima.

Professora pioneira- No auge de seus 84 anos, a professora aposentada, Olinda Rocha Lôbo é a sabedoria em pessoa. “A história é a mestra maior da vida. Sem ela a gente não tem memória e sem memória a gente caminha com os pés dos outros”,ensinou a pioneira, uma das primeiras educadoras do antigo Grupo Escolar, Júlia Kubitschek, hoje Centro de Ensino Médio.

Convidada pelo ArPDF para acompanhar os alunos e estudantes da instituição de ensino na “aula passeio”,ela encantou a todos com sua simpatia e energia. Relembrou os tempos de menina normalista em Formosa, sua cidade natal, e de quando recebeu a proposta para trabalhar em Brasília, um lugar que “ninguém acreditava que fosse dar certo”.“Até 58 fiquei na expectativa com a mudança para a nova capital”, recordou.

Contrariando a vontade de familiares e amigos, ela largou tudo para trás em busca de uma nova perspectiva profissional e abraçou a pedagogia no coração do Brasil com unhas e dentes. Amor e ternura. Em março de 1959 já era professora efetiva do Júlia Kubitschek e, enquanto esteve lá, viveu um caso de paixão com o espaço. “Fiquei encantada com o grupo, os alunos em sua maioria eram filhos de candangos e todos tinham o maior conforto lá, um lugar com profissionais abnegados”, disse orgulhosa.

Arquivo Público do Distrito Federal - Governo do Distrito Federal

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