Governo do Distrito Federal
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Sobre o Acervo

 

 

ARQUIVO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL:  UMA BREVE APRESENTAÇÃO

 

Em meados do século XX, uma grande obra fez o brasileiro voltar sua atenção para o centro do país: a construção da terceira capital do Brasil, Brasília. Enquanto a cidade era erguida, o Governo Juscelino Kubitschek acompanhava as reações nacionais e estrangeiras veiculadas pelo mais popular meio de comunicação da época: o jornal. A Divisão de Divulgação da Novacap, empresa responsável pela construção de Brasília, realizava o clipping dos principais periódicos em circulação. Dos inúmeros títulos existentes naquele período, encontram-se representados nessa exposição jornais do Rio de Janeiro: Última Hora; Tribuna da Imprensa; Diário da Noite; Correio da Manhã e Diário de Notícias.

 

Atualmente, a coleção de recortes está no Arquivo Público do Distrito Federal, junto com outros milhares de documentos produzidos pela Novacap em razão da construção de Brasília. Pela singularidade e importância cultural e patrimonial, tal acervo recebeu da Unesco o título de Memória do Mundo, em 2007.

 

Para esta exposição, foram escolhidas charges, cuja capacidade de representar com humor e simplicidade o contexto dos anos 1950-1960 dialoga de forma mais direta com o observador. Ao primeiro olhar, os riscos podem parecer incompreensíveis e inocentes, mas se o visitante persistir na apreciação reconhecerá JK sorridente nas caricaturas da chargista Hilde ou num estilo marcante no traço de Théo. Os arcos do Palácio da Alvorada também simbolizam a cidade de forma irônica no vestido da garota “Brasília” (Brandão); na figura que canta a marchinha de carnaval “Me dá um dinheiro aí” ( Carlos Estevão) ou nas ruínas previstas por Kowanko. A presença do índio (Brandão e Hilde) remete à aversão à interiorização da capital ou ao imaginário de uma cidade construída em local selvagem e inabitável. Há, também, referência ao desequilíbrio social, ao aumento da inflação e ao dilema do carioca a respeito de “Ir ou não ir para Brasília”.

 

Há que se notar que o discurso presente nas charges foca aspectos negativos do período retratado, mas esclarecemos que é resultado do recorte adotado para esta mostra. No processo de seleção do material aqui exibido verificou-se que matérias escritas, crônicas, letras de músicas e charges eram colocadas lado a lado tendo por afinidade o título do jornal e a data em que foram publicadas, independentemente de serem a favor ou contrárias a Brasília ou a JK. A Novacap, portanto, preparou um excelente material de crítica, embora tivesse o cuidado de só divulgar o que era favorável à obra.

 

Desafiando os descrentes, Brasília se consolidou como um dos mais belos conjuntos arquitetônicos mundiais, tombado há trinta anos pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. O Arquivo Público recupera, com a exposição Do Risco ao Riso, o projeto idealizado em 1998, na gestão do superintendente Walter Mello, um defensor do patrimônio documental de Brasília. A ideia é atual e colocada, nesse momento, pelo Arquivo Público num espaço cultural adotado pelo brasiliense serve de veículo para aproximar-se dos cidadãos. Depois de veicular material de difusão destacando as pessoas que fizeram Brasília e as que amam Brasília, pensa-se que é o momento de dar espaço para outro tipo de discurso: o do Brasil que dizia “não querer Brasília”. Esse desafio propõe contribuir para o debate sobre a história e a historiografia do Distrito Federal. O mês de aniversário da cidade é uma boa ocasião para essa reflexão.

 

Jomar Nickerson de Almeida (Superintendente do Arquivo Público do DF)

 

 

 

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